O ronco ocorre devido à obstrução parcial das vias respiratórias superiores durante o sono. Quando essa obstrução se torna completa por pelo menos 10 segundos e se repete mais de 5 vezes por hora de sono, falamos em apneia obstrutiva do sono. Estima-se que cerca de 4% das mulheres e 9% dos homens adultos sejam portadores da doença, com prevalência maior entre obesos e adultos acima de 35 anos.
Quais as causas do ronco e da apneia?
Obesidade (principal fator — o aumento do tecido adiposo no pescoço reduz o calibre da via aérea), idade (diminuição do tônus e elasticidade dos tecidos da faringe), obstrução nasal (rinite, sinusite, desvio de septo, pólipos), hipertrofia de amígdalas e adenoides, retrognatismo, hipoplasia de mandíbula ou maxila e macroglossia.
Quais as consequências da apneia?
Cada apneia causa queda rápida da oxigenação sanguínea e um microdespertar que o paciente não percebe — esse fenômeno pode se repetir até 1000 vezes em uma noite nos casos graves. A descarga de hormônios do estresse associada à queda da oxigenação pode desencadear arritmias, infarto e AVC durante o sono. A longo prazo, a apneia não tratada agrava diabetes, obesidade, hipertensão, insuficiência cardíaca e aumenta o risco cardiovascular. A fragmentação do sono compromete consolidação da memória e do aprendizado.
Quais os sintomas da apneia do sono?
Ronco alto e interrompido, sono agitado, engasgos noturnos, sonolência excessiva durante o dia, despertares frequentes, levantar para urinar à noite, pesadelos, sono não-reparador, fadiga crônica, dor de cabeça matinal, irritabilidade, apatia, depressão, dificuldade de concentração, perda de memória e impotência sexual.
Como é feito o diagnóstico?
Pela polissonografia, exame realizado em laboratório de sono sob supervisão técnica. O paciente dorme com sensores que registram passagem do ar pelo nariz e boca, oxigenação, frequência cardíaca, movimentos torácicos e posição do corpo. Em casos selecionados, pode ser realizada poligrafia respiratória portátil no domicílio.
Qual o tratamento?
Depende da causa e da gravidade. Medidas gerais (higiene do sono, redução de peso, tratamento postural, evitar álcool e sedativos à noite) sempre se aplicam. Dispositivos intraorais ajudam em casos leves a moderados selecionados. CPAP — aparelho que mantém a via aérea pérvia por pressão positiva — é o tratamento mais eficaz para apneia moderada a grave. Cirurgias otorrinolaringológicas e maxilofaciais são opções em casos específicos.
Conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Para conduta individualizada, agende uma avaliação com o Dr. Marcelo Leão.