Insônia
Insônia crônica vai muito além do cansaço — está associada a doenças cardiovasculares, metabólicas e ao aumento do risco de transtornos psiquiátricos. Entenda o que está em jogo e por que vale tratar cedo.
Quando se fala em insônia, a primeira imagem que vem à cabeça é a do cansaço no dia seguinte: o café reforçado, a cabeça pesada, o humor curto. Mas a insônia crônica — aquela que se repete por meses, três ou mais noites por semana — é uma condição médica com consequências bem mais profundas do que apenas estar cansado.
Estudos consistentes mostram que pessoas com insônia crônica têm maior risco de hipertensão arterial, infarto, arritmias e AVC. O sono é o momento em que o sistema cardiovascular se regula: a pressão cai, a frequência cardíaca diminui, o sistema nervoso autônomo se reequilibra. Privar o corpo dessa regulação noturna, semana após semana, tem custo — e esse custo aparece anos depois, na forma de doença que parecia ter "vindo do nada".
Insônia é, ao mesmo tempo, sintoma e fator de risco para depressão e ansiedade. Quem dorme mal tem maior risco de desenvolver transtornos do humor. E quem já tem ansiedade ou depressão dorme pior, o que agrava ambos os quadros. Tratar a insônia precocemente reduz o risco de desenvolver — e melhora o controle de — esses problemas.
Noites mal dormidas afetam a regulação da glicose, aumentam a resistência à insulina, alteram hormônios da fome (grelina e leptina) e favorecem o ganho de peso, mesmo sem mudanças na alimentação. Pacientes com insônia crônica têm maior incidência de pré-diabetes e diabetes tipo 2.
Memória, atenção, capacidade de decisão e tempo de reação caem significativamente após noites mal dormidas. A sonolência ao volante é uma das principais causas de acidentes graves no trânsito — comparável, em risco, à direção sob efeito de álcool.
Insônia tem tratamento eficaz. A abordagem padrão-ouro hoje — a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-i) — não depende de medicamento, tem resultado duradouro e é considerada primeira linha pelas principais sociedades médicas do mundo. Quanto mais cedo se procura ajuda, mais simples e mais curto é o caminho. Esperar "passar sozinho" raramente funciona — e cobra um preço alto.
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